CORONAVÍRUS / COVID-19

 O que é?

COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, que apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que a maioria dos pacientes com COVID-19 (cerca de 80%) podem ser assintomáticos e cerca de 20% dos casos podem requerer atendimento hospitalar, por apresentarem dificuldade respiratória; desses casos aproximadamente 5% podem necessitar de suporte para o tratamento de insuficiência respiratória (suporte ventilatório).

Como acontece a contaminação?

Pessoas infectadas podem transmitir a doença a menos de 2 metros de distância de outras, através do contato com gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, que podem ser transmitidos pelo toque (aperto de mão, beijo, abraço, objetos e superfícies).

Quais são os principais sintomas?

  • Perda do olfato
  • Tosse
  • Febre
  • Coriza
  • Dor de garganta
  • Dificuldade para respirar

 Pode haver complicações?

O quadro pode agravar para pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência múltipla dos órgãos e levar à morte.

 Existe grupo de risco?

Os idosos, pessoas portadoras de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade) e imunodeprimidos são mais vulneráveis a apresentar as manifestações mais graves.

 Há tratamento?

Ainda não há tratamentos específicos para as infecções causadas pelo Covid-19. Os protocolos, em geral, envolvem lidar com os sintomas.

Hidroxocloroquina: o que já sabemos?

O Ministério da Saúde incluiu em seus protocolos a sugestão do uso da substância em pacientes infectados pela Covid-19, cabendo ao médico a decisão da prescrição ou não do medicamento.

A ANVISA informou, no final de abril, que não existe nenhuma pesquisa concluída sobre a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento do coronavírus. “Se a pesquisa clínica for bem-sucedida, o medicamento pode ser registrado na Anvisa e receberá nova indicação em bula”.

 Eu já uso um tipo de medicamento para tratamento de doença crônica ou reumática. O que devo fazer?

Não há nenhuma evidência comprovando que interromper o imunossupressor tenha efeito protetor contra a infecção COVID-19. Vale destacar que o risco de infecção não é igual para todos os imunossupressores. Sendo assim, todo paciente que esteja em tratamento com fármaco, com suspeita ou diagnóstico do Covid-19, deve imediatamente entrar em contato com seu médico para avaliação e orientação específica.

Não suspenda nenhum remédio ou ingira qualquer outro, sem autorização dele.

 Vitamina D, preciso suplementar?

Recentemente, saiu um estudo da Universidade de Turim, indicando haver evidências científicas dos efeitos da vitamina D na prevenção de quadros infecciosos.

Os pesquisadores consideram possível que o nutriente possa promover uma maior resistência à infecção por Covid-19. isto porque, foi observado que pacientes com quadros graves da doença estavam com as taxas baixas de vitamina D. Porém, isso não quer dizer nada diferente do que já sabemos, que a vitamina D é importante para a saúde dos ossos e ainda responsável por outras atividades, ligadas ao sistema imunológico, cardiovascular, músculos, metabolismo, etc.

Ou seja, estar com suas taxas adequadas é fundamental para nossa saúde.

Como saber seus níveis de vitamina D? Através de exames de sangue solicitados e avaliados pelo médico.

Maior do que 20 ng/mL é o desejável para população geral saudável; entre 30 e 60 ng/mL é o recomendado para os grupos de risco (idosos, pacientes com diagnóstico de doenças inflamatórias autoimunes, osteoporose, fraturas e quedas recorrentes, usuários de corticoides, etc).

Avalie com seu médico a necessidade de suplementação.

De qualquer forma, é interessante pegar sol, diariamente.

Mas entenda que não há um número “mágico”, pois cada organismo reage de uma forma e até a cor da pele influencia. Uma orientação geral é expor pernas e braços, no período das 10 às 15 horas, mas somente por 15 minutos, sem proteção solar.

Atenção ao excesso, que pode ser prejudicial em algumas doenças relacionadas à pele.

Quais são as orientações de prevenção do coronavírus?

– Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização (punhos, dorso, palmas, unhas e entre os dedos).

– Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool de 60% a 80%.

– Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos.

– Evitar contato próximo com pessoas doentes.

– Ficar em casa quando estiver doente.

– Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo, ou com a parte interna do cotovelo.

– Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

– Não compartilhar objetos de uso pessoal (garrafas, copos, pratos, talheres, toalhas, travesseiros, guardanapo, lenço etc.)

– Evitar aglomerações e locais fechados.

– Manter os ambientes abertos e bem ventilados.

– Higienizar os alimentos antes de guardá-los.

 

Existem outros cuidados mais detalhados, que podem ajudar nesse momento?

-Mantenha as unhas curtas
Além de evitar que o vírus se instale dentro delas, facilita a higiene na hora de lavar as mãos.⠀

-Ao sair, prefira o cabelo preso⠀
Quando o cabelo tá solto, a chance de passarmos a mão nele e depois nos olhos, nariz ou boca é muito grande, quase inevitável.⠀

-Se possível, evite a barba grande
O mesmo que acontece com o cabelo, acontece com a barba. Retirá-la por completo nesse momento é o ideal. Caso não possa, mantenha sua higiene redobrada, lavando sempre que possível.⠀

-Evite adornos
Anéis, relógio, pulseira, brincos e colares podem guardar o vírus – usualmente não temos a prática de higienizá-los, o que oferece um risco maior de contaminação.

-Tire os sapatos
Crie o hábito de tirar os sapatos antes de entrar em casa. Deixe um par de chinelos na porta. Melhor, ainda, é limpar a sola sempre que chegar em casa, antes de guardá-lo.

-Tome banho ao chegar em casa
Caso tenha que ir à rua por motivo inevitável, é recomendado que tome banho imediatamente ao chegar, lavando os cabelos, sejam eles curtos ou longos, para eliminar a chance de manter o vírus em qualquer parte do corpo.

-Roupa suja da rua deve ser isolada ou lavada imediatamente
Antes do banho, é importante que já coloque a roupa usada para lavar assim que chegar em casa. Não a guarde no armário, cabideiro ou pendure em alguma cadeira ou sofá. Deixe-a, pelo menos, num balde separado.⠀

-Hidrate suas mãos
Essa é uma prática que evitará que suas mãos ressequem e criem lesões, devido ao grande número de vezes que são lavadas durante o dia.⠀

Como usar máscaras corretamente?

O uso de máscaras, inicialmente, era recomendado apenas para os pacientes sintomáticos e profissionais da área de saúde. Recentemente, o Ministério da Saúde orientou que ao sair, qualquer pessoa deve usar máscara, mesmo que seja de pano. Isso porque, a média de tempo para o vírus se manifestar é de 5 dias. Ou seja, uma pessoa pode não apresentar sintomas, mas mesmo assim transmitir o vírus.

Atenção:

A máscara deve ter ao menos 2 camadas de tecido (recomenda-se gramatura de 20 – 40 g/m²).

Cada máscara deve ser usada por até 3 horas. Portanto, se ficar fora por mais tempo, leve um saquinho para armazenar a máscara utilizada.

Deve-se lavar as mãos antes de sua colocação e após sua retirada.

Ao voltar para casa, lave as máscaras usadas – separadamente. Não misture com outras peças de roupa. Use previamente água corrente e sabão neutro;

Depois coloque de molho em uma solução de água com água sanitária* ou outro desinfetante equivalente de 20 a 30 minutos;

Deixe secar completamente e se possível, passe com ferro.

Mantenha-a em recipiente fechado, após sua devida lavagem.

O ideal é que cada pessoa possua, ao menos, 5 máscaras de pano.

*Para preparar uma solução de água sanitária (2,5%) com água, por exemplo, você pode diluir 2 colheres de sopa de água sanitária em 1 litro de água.

Quando devo procurar atendimento médico?

Se você apresentar febre acima de 37,8° e algum sintoma respiratório (tosse e dificuldade para respirar) ou teve contato próximo com casos suspeitos ou confirmados.

Como são os testes?

Os testes imunológicos podem ser de dois tipos (atualmente):

– De antígeno (Ag) – que detecta proteínas na fase de atividade da infecção, para detecção qualitativa do antígeno do COVID-19 em amostras de swab da nasofaringe e orofaringe.

– Anticorpos (IgG e IgM) – (testes rápidos – sangue) – que identifica uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. A detecção dos anticorpos COVID-19 IgM tende indicar uma resposta imune recente, já as detecções de anticorpos COVID-19 IgG indica uma fase mais tardia.

 Os anticorpos podem ser detectados com melhor sensibilidade após o 7º dia de início dos sintomas. Sendo negativos, não afastam totalmente a possibilidade de ter ocorrido infecção (“falso negativo”), devendo ser analisado caso a caso, de acordo com sintomas sugestivos, com a possibilidade de precisar repetir o exame.

Os resultados positivos devem ser considerados conjuntamente com o histórico clínico e outros dados disponíveis.

 

Existe vacina disponível?

Não existe, ainda, as que nos proteja do novo coronavírus. Cientistas estão realizando testes.

O importante, agora, também é se cuidar para não contrair os outros tipos de gripe.

Ao proteger os idosos e portadores de doenças autoimunes do vírus influenza (que causa a gripe), a vacina pode ajudar a impedir uma sobrecarga do sistema respiratório, que agravaria uma eventual infecção do novo coronavírus. A vacinação também pode ajudar a diferenciar entre gripe e a Covid-19.

As vacinas para a gripe disponíveis no Brasil (trivalente ou quadrivalente), são inativadas, o que significa que são criadas a partir de vírus mortos, logo, não têm a capacidade de causar a doença. Então, pacientes imunossuprimidos podem tomar a vacina contra a gripe sem medo.

Dicas para ‘quarentena’ e/ou confinamento com melhor qualidade de vida

– Cuide para manter sua rotina de sono em dia. Dormir bem é fundamental para o bom funcionamento das suas defesas e recuperação.

– Evite ficar só sentado em frente à TV. Movimente-se! Faça uma lista de atividades caseiras que você viva protelando e nunca parava para realizar. Pode ser arrumar os armários, separar pertences que não usa há mais de 6 meses para doação, manter a limpeza da casa, fazer alongamento (desde que permitido pelo seu médico) e demais exercícios possíveis (mande mensagem ao seu professor da academia, peça ajuda a algum profissional da área).

– Hoje em dia, a tecnologia nos oferece uma série de aplicativos para yoga, meditação e treinos em casa. Busque indicações e escolha o que mais te interessar.

– Descuidar da alimentação é super fácil nessas horas. Não deixe que isso aconteça. Crie cardápios semanais para organizar as refeições, o que deve comprar, evitando ir muito ao mercado. Leve à sério sua rotina alimentar. Ela faz parte dos cuidados para não desenvolver nenhuma doença, se recuperar caso seja contaminado e, principalmente, para não agravar a que já existe.

– Outro fator perigoso é a ansiedade. Se previna! Organize o tempo para manter uma rotina ocupada e ativa, realize atividades agradáveis, como ler livros, pintar, desenhar, fazer artesanato, aprenda alguma habilidade nova, faça cursos online gratuitos, estude, assista filmes e séries, aprenda uma língua nova e o que mais sua criatividade permitir.

Cuidado com o ESTRESSE

Sabemos que as doenças autoimunes (ex.: psoríase, lúpus, artrite reumatoide e diabetes tipo 1, artrite psoriásica) surgem quando o sistema imunológico ataca componentes do próprio organismo.

Para quem tem predisposição genética, o estresse pode se tornar um fator desencadeador dessas condições, além de agravar sintomas de quadros já existentes. Logo, uma doença que estava em remissão pode voltar à atividade, devido ao estresse.⠀

A questão é que ele libera altos níveis de hormônio cortisol no sangue, comprometendo o equilíbrio do organismo como um todo. Isso faz com que os mecanismos fisiológicos que controlam o sistema imune trabalhem com dificuldade, abrindo portas para que essas doenças de manifestem.⠀

O isolamento social e o risco de contrair o Covid-19 podem abalar nossas estruturas emocionais e psíquicas, então é fundamental buscar ajuda profissional, se necessário. Não deixe o estresse chegar, você precisa e deve buscar todos os recursos possíveis para ficar longe dele!

 

Calma e paciência.

Auto cuidado.

Colaboração e preocupação com o coletivo.

É sobre isso que diz respeito esse momento.

Fique bem!

Dra. Rachel Rosado | Dermatologista e Reumatologista